15 setembro 2014

Turistando - Visita ao Palácio Quitandinha

Semana passada foi a Semana de Arquitetura na faculdade onde estudo e dentre outras atividades, tivemos uma visita guiada ao Palácio (Sesc) Quitandinha, um lindo ponto turístico arquitetônico daqui da minha cidade, Petrópolis-RJ. Mesmo já conhecendo bastante o Palácio, resolvi ir com a faculdade também. Como uma boa amante da fotografia, não deixei de levar máquinas fotográficas para registrar tudo! E agora irei mostrar as fotos de alguns ambientes visitados (infelizmente não consegui tirar foto de todos os ambientes) e contar um pouquinho sobre esse Palácio lindo que temos aqui e deixar quem não conhece com vontade de conhecer.

Fachada principal do Palácio Quitandinha

Em 1939, Joaquim Rolla (proprietário do Cassino da Urca no Rio de Janeiro e do Cassino Icaraí em Niterói) adquire o terreno da Fazenda Quitandinha e em 1941, é lançada a pedra fundamental da construção e, no dia 12 de fevereiro de 1944, o cassino-hotel é inaugurado parcialmente.
Luis Fossati foi o arquiteto responsável pelo projeto do Quitandinha, juntamente com Alfredo Baeta Neves. O espetacular castelo faz referência ao estilo neo-normando, tendência dos grandes cassinos europeus, sendo decorado com inspiração nos cenários hollywoodianos pela designer de interiores Dorothy Draper, considerada uma das maiores decoradoras dos Estados Unidos, desde a década de 1920.

A magnífica construção apresenta aspectos arquitetônicos, decorativos, técnicos e funcionais expressivos para a época, conturbada pela 2ª Guerra Mundial, e nela apresentaram-se importantes atrações artísticas nacionais e estrangeiras. 

Galeria das Estrelas
Recebeu esse nome por causa do formato dos seus lustres Moravian Star, da fábrica americana Tiffany. Na época do cassino, as vitrines laterais eram utilizadas para exposição de joias. Atualmente, o espaço é ocupado por painéis que homenageiam celebridades que aqui estiveram, como Aurora e Carmen Miranda, Grande Otelo e Oscarito. O Palácio serviu como cenário para o cinema brasileiro. Grandes musicais e produções luxuosas contaram com a presença de astros e estrelas nacionais e internacionais. 

Jardim de Inverno
No Centro, possuía uma artística fonte de água e um enorme viveiro, onde visitantes encontravam aves e plantas brasileiras. Seu piso em granito ocre e preto recebe, com harmonia e elegância, os móveis em estilo tropical quem compõem o ambiente. 

Galeria Brasil
Recebeu esse nome porque na época do hotel-cassino suas paredes eram decoradas por quadros que representavam o Rio Antigo e Contemporâneo. 

Cozinha Principal
Era o "coração" do hotel-cassino, possuindo acesso direto ao Restaurante e salões auxiliares, ao bar, à Boate e à Sala das Crianças. Possui 1.200m², piso industrial, pilares com mísulas, clarabóias em tijolos de vidro e sistema de exaustão não mecânico. Era equipada para oferecer uma variedade de pratos frios e quentes simultaneamente, sendo dividida em três partes: uma ala só para salgados, outra para doces e uma terceira para serviço de café. Podia comportar até 100 cozinheiros trabalhando ao mesmo tempo e oferecia até 10.000 refeições por dia.

Sala das Crianças
Sala destinada a refeições e entretenimento do público infantil. Era usual, após as refeições, as crianças assistirem a uma sessão de cinema ou a espetáculos de marionetes. Os desenhos das paredes são inspirados nas fábulas de La Fontaine, e foram feitos por Alceu de Paula Penna, desenhista e figurinista da antiga revista O Cruzeiro.

Varanda da Área Social
Utilizada como espaço de conversação pelos hóspedes, possui vista panorâmica para o jardim externo, que tem uma piscina infantil em formato de cavalo-marinho. Na época do hotel-cassino, havia uma pequena cafeteria com bar. A varanda também servia à prática de atividades como tênis de mesa e bilhar, e dela tinha-se visão das antigas quadras de tênis, hípica e picadeiro.

Salões Sociais
O suntuoso salão com capacidade aproximada para 800 pessoas era reservado às refeições, muitas vezes embaladas pelo som de uma orquestra que ficava em seu balcão elevado. Sobriamente decorado, o espaço reúne lustres de estuque, que remetem ao barroco, espelhos enquadrados em sucupira sobrepostos por águias e, abaixo, aparadores da época para guarda das louças. Mantém sistema de ar condicionado central, comum a todo palácio. Eram utilizados para suporte ao salão principal quando este estava lotado, ou para festas e pequenos banquetes privados.

Pátio da Fonte
A antiga Galeria da Fonte abriga uma bela fonte de água em estilo neo-colonial, com decoração composta por motivos marinhos. Muitos alimentam a lenda de que esta seria uma fonte dos desejos, onde as pessoas jogavam moedas para ter sorte, mas se alguma delas caísse na concha, ao invés de na bacia, era o sinal para deixar de jogar.

Salão das Convenções
O espaço foi palco de eventos importantes e recebeu grandes personalidades ligadas à política nacional e internacional, como os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso, Harry S. Truman, Eva Perón, etc.

Piscina Térmica*
Possui formato de um piano de calda e é revestida em azulejos verde água. Sua profundidade varia entre 1,60m e 5,00m. As pinturas nas paredes são atribuídas ao renomado artista brasileiro Santa Rosa e foram inspiradas na oba 20.000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne. Como a piscina funcionava até tarde da noite, sua iluminação era requintada. Havia spots em seu interior, que reproduziam escotilhas de navio e os do teto ainda existem. 

 Varanda da área de eventos
O Palácio está rodeado por varandas fechadas somando, aproximadamente, 150m lineares. Na época do hotel-cassino esta varanda, de uso comum, abrigava exposições de arte e floricultura.

Salão Mauá (Cúpula)
Principal salão do antigo cassino, onde ficavam as mesas de jogo. A atividade durou pouco mais de dois anos. Uma das características mais importantes do espaço é a cúpula, considerada um marco na história do concreto armado na América do Sul. Com 51m de circunferência, estabeleceu um recorde entre estruturas do gênero no continente sul americano, sendo a maior do mundo em diâmetro na categoria "casca elíptica de revolução não nervurada", tamanho comparável ao da Catedral de São Pedro, em Roma. A 16m de altura, o teto da cúpula apresenta chapiscos em azul, que conferem um efeito acarpetado. Originalmente era adornada por estrelas metálicas, como um eterno céu. Ainda hoje podemos constatar a acústica especial do espaço que, em determinados pontos, possibilita a reprodução do som em efeito de eco em até 14 vezes. 

Teatro Sesc Quitandinha*
Palco de grandes eventos ligados ao teatro, música, literatura e artes, com destaque para os bailes de Carnaval com luxuosos desfiles a fantasia. Capacidade para 1.000 expectadores. Conhecido como "Mecanizado", possui três palcos giratórios. Na época, existiam apenas dois teatros com esse mecanismo no Brasil: Quitandinha e de Manaus.

No dia 30 de abril de 1946 foi assinado um decreto proibindo o jogo no Brasil. A partir desse momento, Joaquim Rolla já não vinha com tanta frequência ao local. O maravilhoso complexo Quitandinha não conseguia sobreviver apenas como um hotel de luxo, passando a ser administrado por diferentes empresas, perdendo grande parte de sua importância e entrando em uma gradativa decadência. Atualmente o antigo Hotel-Cassino foi adquirido pelo Sesc RJ, o qual tem recuperado e revitalizado desde 2007, transformando-o num espaço de cultura e lazer para a sociedade. 



Para saber mais sobre o Palácio, acesse o site do Sesc Quitandinha

*Todas as fotos foram tiradas por mim, exceto a do Teatro Sesc Quitandinha e da Piscina Térmica.

2 comentários:

  1. Uau, sempre tive curiosidade de visitar lá dentro !

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  2. Que lindo lugar, adorei suas fotografias também. Amei seu blog, com certeza voltarei sempre. Beijos.
    http://faahsantos.blogspot.com.br/

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